Polícia dá prazo de dois dias para sem-terra deixarem fazenda no Paraná

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Área no oeste do estado foi ocupada por integrantes do MST em março.
Integrantes tentaram impedir a entrada dos PMs e bloquearam rodovia.

A Polícia Militar estabeleceu prazo de dois dias para que os integrantes do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) desocupem totalmente a Fazenda Santa Maria, em Santa Terezinha de Itaipu, no oeste do Paraná. Segundo o tenente coronel Washington Lee Abe, comandante regional da PM, as cerca de 450 pessoas devem ser transferidas para o Assentamento Antônio Tavares, na vizinha São Miguel do Iguaçu. Os sem-terra haviam pedido oito dias para a desocupação da área.

No início da manhã desta quarta-feira (18), cerca de 650 policiais militares foram mobilizados para o cumprimento da ordem de reintegração de posse da área ocupada desde o dia 18 de março. Houve resistência e os sem-terra tentaram impedir o acesso dos policiais à área.

Os sem-terra atearam fogo em pneus, caminhões e tratores e interditaram os dois sentidos da BR-277. Os manifestantes jogaram pedras nos policiais, que reagiram usando gás lacrimogênio e balas de borracha para dispersar o grupo. A rodovia ficou bloqueada nos dois sentidos por cerca de uma hora e meia.

“É lamentável o que está acontecendo aqui, com o desproporcional uso da força policial. Liguei para alguns dos acampados e orientei para que recuassem porque a coisa está muito violenta”, comentou o advogado do MST Elcir Zen.

Na fazenda, os ocupantes também colocaram fogo em outro caminhão e em um barracão.

O administrador Fernando de Freitas informou que não deve ir até a propriedade nesta quarta.

Em Nova Laranjeiras, no centro-oeste do estado, outro grupo também bloqueou o trecho da BR-277 no trevo de acesso a Quedas do Iguaçu em solidariedade aos sem-terra alvo da reintegração de posse. Até as 16h30, trecho permanecia interditado e sem previsão de ser liberado.

De acordo com o MST, a área pertence aos irmãos Licínio de Oliveira Machado Filho, presidente da Etesco, e a Sérgio Luiz Cabral de Oliveira Machado, apontado como ex-presidente da Transpetro, ambos citados nas investigações da Operação Lava Jato.

Na ocasião da invasão, a assessoria da Etesco confirmou que a fazenda pertence à família de Licínio de Oliveira Machado Filho, presidente da empresa. Além disso, destacou que houve uma confusão de nomes e que Sérgio Luiz Cabral de Oliveira Machado, citado na nota do MST como ex-presidente da Transpetro, nunca pertenceu ao quadro de tal empresa.

Em nota, a empresa LRS Agro Pastoril, proprietária da Fazenda Santa Maria, reafirmou que “há uma infeliz confusão com relação aos nomes dos Srs. José Sérgio de Oliveira Machado (ex-presidente da Transpetro, citado na Operação Lava Jato) e Sérgio Luiz Cabral de Oliveira Machado, um dos proprietários da fazenda invadida”. “Dessa forma, a Fazenda Santa Maria não tem qualquer relação com a Lava Jato”, completou.

A fazenda tem 1.750 hectares, 500 hectares destes de reserva legal e mata ciliar, 300 hectares de agricultura e 900 hectares de pastagem para gado de corte. A área também possui uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de 242 hectares, que faz parte do Corredor da Biodiversidade Santa Maria – faixa de vegetação que liga o Parque Nacional do Iguaçu ao Parque Nacional de Ilha Grande.

Antes da ocupação, os sem-terra estavam acampados às margens da BR-277, próximo ao Assentamento Antônio Tavares, em São Miguel do Iguaçu.

No fim da tarde, o MST informou por meio de nota que espera que o “governador Beto Richa assuma para si a condução política da reforma agrária em parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e Governo Federal, norteada pelo diálogo na busca de soluções para os conflitos agrários paranaenses”. Segundo o movimento, são 10 mil famílias acampadas no estado aguardando serem assentadas.

Lava Jato
Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o nome de Sérgio Luiz Cabral de Oliveira Machado, ex-presidente da Transpetro, foi citado pelo dono da construtora UTC, Ricardo Pessoa, na delação premiada em que lista políticos supostamente beneficiados com dinheiro oriundo do esquema de corrupção na Petrobras.

Na época, Sérgio Machado, por meio de sua assessoria de imprensa, negou a denúncia de Ricardo Pessoa, da UTC.

“Nos quase 12 anos em que Machado esteve à frente da Transpetro, a companhia assinou um único contrato com a UTC, em julho de 2006, no valor de R$ 38,6 milhões, para manutenção de tanques de combustível. Em agosto de 2008, a UTC alegou que o contrato era pouco lucrativo e buscou elevar seu valor. Como não houve entendimento com a Transpetro nesse sentido, a UTC decidiu abrir mão do contrato – cujo saldo, de R$ 4,3 milhões, foi então repassado para outra empresa, a Tecnesul.”

Já Licínio de Oliveira Machado Filho é citado, também conforme o MPF, no depoimento da delação premiada do lobista Fernando Antônio Guimarães Hourneaux de Moura dado ao juiz federal Sérgio Moro em que apontou contratos ilícitos da Petrobras e o envolvimento da empreiteira Etesco e do ex-diretor da petrolífera Renato Duque. Moura disse, porém, ter mentido e foi ouvido novamente em fevereiro de 2016.

 

Do G1 PR, com informações da RPC em Foz do Iguaçu

 

(Foto: Caio Vasques / RPC)

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